A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF)

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A PAF associada à mutação Val30Met no gene da transtirretina é a forma de PAF melhor caracterizada até hoje, provavelmente por ser a mais prevalente. As mutações na transtirretina (TTR) ocasionam diferentes fenótipos clínicos para a polineuropatia amiloidótica familiar (PAF), podendo se apresentar de maneira mais ou menos severa e acometendo particularmente o sistema nervoso periférico onde se inicia a neurodegeneração.

Com o desenvolvimento da doença, outros órgãos, como rins e coração podem ser acometidos Grande variabilidade fenotípica pode ser observada entre famílias de diferentes origens geográficas, principalmente em relação à idade de início dos sintomas, penetrância da doença e órgãos e tecidos predominantemente acometidos. Isso levanta a possibilidade de que outros fatores genéticos e ambientais possam estar envolvidos na fisiopatologia desta doença. A PAF associada a mutações no gene da transtirretina (tipo I ou forma portuguesa) é de especial importância para a população brasileira, já que é esta forma que é encontrada no Brasil devido a origem de nossa colonização.

A PAF foi primeiramente descrita pelo neurologista português Corino Andrade em 1952, o qual a caracterizou como uma condição patológica específica e com caráter hereditário, conforme descrito em seus artigos pioneiros publicados no início da década de 50 do século passado. Estudos realizados com a população brasileira mostram que a penetrância da PAF no Brasil é de 83%, próxima à observada para a população portuguesa, e a idade de início da doença fica em torno dos 30-40 anos, assim como ocorre em Portugal. A mutação V30M é a mutação mais descrita no país até o presente, e o número de famílias acometidas por PAF vêm crescendo consideravelmente.

Caracterização dos sintomas

Inicialmente os sintomas são do tipo sensitivos: dores nos pés, perda da sensibilidade para a temperatura, dormências. Eles evoluem para acometer também os membros superiores apenas mais tardiamente, assim como pode ocorrer perda de outra modalidade sensitiva (tato, noção das posições corpóreas no espaço).

O acometimento motor ocorre tardiamente na evolução da doença, inicialmente em membros inferiores, progredindo com atrofia e fraqueza de predomínio nos pés e pernas, com envolvimento dos membros superiores ocorrendo mais tardiamente. Com a progressão da doença, os reflexos osteo-tendíneos são geralmente perdidos.

O sistema nervoso autonômico é frequente e precocemente acometido. Sintomas como anisocoria (diâmetro desigual das pupilas), constipação intestinal, diarreia, distensão abdominal, impotência sexual, dificuldade de controle dos esfíncteres, hipotensão postural severa entre outras, denunciam o envolvimento do sistema nervoso autonômico pela doença.
Outro sistema frequentemente acometido pela PAF associada à mutação Val30Met é o cardiovascular. O envolvimento cardíaco geralmente se manifesta na forma de alterações do ritmo cardíaco, bloqueios ou insuficiência cardíaca. Uma cardiomiopatia com espessamento do septo interventricular e das paredes ventriculares pode ser evidenciada pelo ecocardiograma bidimensional em alguns pacientes.

Depósitos de material amilóide no vítreo (é a substância gelatinosa e viscosa que se encontra na câmara posterior, entre o cristalino e a retina, sob pressão, de modo a manter a forma esférica do olho) foram reconhecidos em pacientes com mutação Val30Met do gene da transtirretina e é uma manifestação precoce em pacientes de origem sueca.

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